e- revista
No ritmo da música do outro lado do oceano

Quando você pensa em cultura oriental, o que logo vem a sua mente? O desenho de um rosto com olhinhos “puxados”? Lembra de todas as tecnologias e invenções criadas lá que chegaram por aqui? As práticas de meditação e o culto à subjetividade humana? Pois é, não é apenas a distância que nos separa dos países orientais, mas significativas diferenças econômicas, políticas e culturais...

A internet, aos poucos, está diminuindo essas distâncias, e possibilitando as trocas culturais. Você, por acaso, já ouviu alguma música coreana tocando por aí? Os rits orientais estão embalando o universo de muitos jovens. Para se ter uma ideia, o Japão é o 2ª maior mercado de música do mundo. Segundo pesquisa (2012) da International Federation of the Phonographic Industry (IFPI), o Japão e os Estados Unidos juntos somam cerca de metade do mercado mundial de música. Os EUA estão apenas 1,3% à frente do país oriental. E o consumo de música por lá está recheado de curiosidades. Que tal conhecê-las?

Quem vai nos ajudar, é a futura publicitária Jéssica Soares, que trabalha aqui na Terra Vermelha. Ela é fã da cultura oriental. Sonha em ir pra lá um dia. E claro, conhece bem as peculiaridades dos ritmos do outro lado do oceano. Em julho, desse ano, foi no show da banda sul-coreana BTS, em São Paulo. Aproveitamos a oportunidade e preparamos uma entrevista com ela sobre o assunto. A estudante de Publicidade e Propaganda, Caroline Costa, que também foi no show e já fez intercâmbio por lá, contribuiu com o conteúdo. Confira e conheça um pouquinho mais sobre essa cultura. Afinal, quanto mais culturas e realidades conhecemos, pessoas melhores nos tornamos. Aperte o cinto e viaje, agora, para o outro lado do oceano:

Terra Vermelha – Quais as principais diferenças entre o consumo de música lá no oriente e aqui no Brasil?

Jéssica Soares – Enquanto no Brasil e na maioria dos países no mundo, o mercado de produção musical é feito em um longo período de tempo, na Ásia, em geral, esse processo é feito em alguns meses. Durante o ano, por exemplo, os grupos podem fazer mais de um comeback (retorno com um novo álbum, miniálbum ou simplesmente single).  Os álbuns são esteticamente mais bonitos e atrativos, pois eles colocam junto com o CD fotos especiais, adesivos, blocos de nota, calendários, ou seja, eles desenvolvem atrativos para que os fãs queiram comprar os álbuns. Outro atrativo da compra física dos álbuns é que quem os possui pode entrar com preferência nas filas dos programas musicais que os grupos irão se apresentar. Ou ainda lançam apenas no Itunes ou outro meio digital. Fãs asiáticos em si são muito peculiares, ou eles amam muito o grupo ou odeiam muito. Do amor, nascem os fandoms que seguem o grupo até o fim, organizam eventos para encontros entre fãs, vivem e respiram por seus k-idols, é realmente bem extremo, existem rixas entre eles o que gera discussões na internet e instigam, por exemplo, as vendas de álbuns para o seu grupo de K-POP ganhar prêmios importantes. Sim, os fãs asiáticos colocam em um pedestal seu k-idol, porém, quando esse ídolo faz alguma coisa errada, esses fãs são os primeiros a destruir com a sua carreira. Em casos extremos alguns famosos já cometeram suicídio pela rejeição do público. 

Terra Vermelha – Você participou do show da banda coreana BTS em São Paulo. Esse grupo trabalha dentro do estilo K-POP. Quais são as principais características desse estilo musical?

Jéssica Soares – O K-POP é um movimento musical originado da cultura popular da Coréia do sul, e é nesse movimento que trabalham vários ritmos musicas em destaque para o pop, hip hop/rap, R&B e balada. Outra característica é o número de integrantes por grupo e a união de música com danças coreografadas. O grupo BTS, por exemplo, possui 7 integrantes, já outros, chegam a ter 13 integrantes, todos cantam e dançam. Os grupos começam a ser formados quando os futuros cantores, ainda adolescentes, são chamados para serem trainee em uma agência de entretenimento. A Coréia possui grandes agências, tais como: YGEntertainment, SM Entertainment, CUBE Entertainment, Big Hit entertainment, entre outras. Alguns integrantes ou todos do grupo, precisam falar fluentemente inglês e/ou japonês, para se adaptar a todos os tipos de fãs.

Terra Vermelha – Além do K-POP, você conhece outro estilo que se destaca entre os países orientais? Se sim, poderia descrevê-lo?

Jéssica Soares – De todos os países asiáticos com certeza o Japão é o mais peculiar e diferente, para nós que não nascemos na mesma cultura. Musicalmente, existem bandas de todos os gêneros musicais, pop, rock, até samba. O que, às vezes, difere é o visual com o qual se apresentam. Um deles é o visual kei. À primeira vista causa muita estranheza, mas é apenas uma forma de expressão. Visual kei tem por característica androginia, e shows chamativos. No visual kei a música anda sempre ao lado da imagem e vice-versa. Então são homens que se vestem com trajes femininos, maquiagem, usam perucas e, nem por isso são homossexuais ou transexuais. O que acontece também para as mulheres de visual kei. Uma coisa é certa: eles possuem um público bem definido. Não é entretenimento para ser consumido por todos, já que é tão diferente.

Visual Kei

Terra Vermelha – Sabemos que você busca conhecer e gosta muito do mundo que está lá do “outro lado do oceano”, não é? Você tem o sonho de conhecer e viajar pelas terras orientais. Desde quando você alimenta esse sonho e por quê?

Jéssica Soares – O interesse pela cultura asiática veio aos 12 anos quando comecei a ler mangás e assistir animes (desenhos animados) (sbt traduzia alguns sucessos para a TV aberta como Dragon Ball Z), e graças à internet (na época a discada) tinha a oportunidade de pesquisar e conhecer ainda mais o “outro lado do oceano”. E nos próximos anos a meta é viajar primeiro para o Japão. É o primeiro país asiático que tive interesse. E sobre o porquê desse meu sonho, nem eu sei explicar, hehehehe. Eu gosto do diferente, talvez porque nasci em cidade pequena seja uma forma de rebeldia, o não querer o que todo mundo quer.

Jéssica e Caroline Costa no show da banda BTS, em São Paulo. Foto - Reprodução Facebook.

Terra Vermelha – Ainda nesse contexto de sonhos, ter um gosto pessoal por uma cultura tão diferente da nossa é uma atitude ousada, de pensar além do habitual. Quais as dicas que você dá para as pessoas conseguirem transcender o seu universo cotidiano e construírem um olhar para o diferente, para o que vai além do senso comum, desenhando assim, desejos e sonhos maiores e ousados frente à realidade?

Jéssica Soares – O primeiro ponto é entender que eles são completamente diferentes de nós (brasileiros), desde a forma de se vestir, pensar e se comportar. Passando esse ponto, o outro é aprender com o desconhecido e não rejeitar, só porque não é igual, não significa que é ruim. O mundo é grande demais para ficarmos com a mente fechada. E sim, eles também acham, que nós do ocidente, somos todos parecidos fisicamente.

 

Mais curiosidades trazidas pela Jéssica sobre a cultura oriental:

Na Coréia o alistamento militar é obrigatória para os homens. Mesmo sendo um personagem famoso no país, ele tem que se alistar e ficar por um período de 2 anos ou menos, não é estranho ver grupos em inércia esperando a volta de um integrante do grupo voltar do exército.

As novelas tanto coreanas e japonesas são muito diferentes das brasileiras. Primeiro, são chamadas de doramas ou dramas (realmente tem muito drama).

Outro ponto é que a audiência é realmente disputada entre todas as emissoras, não exista lá uma Rede Globo da vida que detém 50% da audiência. Então, as emissoras se esmeram em conteúdo e programação para todos. A censura às novelas é bem pesada, o que é muito diferente daqui. Por lá, no horário nobre, por exemplo, você não vê gente pelada, beijos quentes, cenas de sexo, violência, nada do que estamos acostumados com as novelas brasileiras.