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O universo literário de Maureen Heinrich

Confira entrevista com a escritora que explora redes como Twitter, Wattpad e Tumblr para compartilhar as histórias e interagir com seus leitores

 

O consumo de livros vem se transformando a partir da revolução da internet. Tanto a leitura quanto a escrita sofreram metamorfoses. Escritores tem um novo espaço pra compartilhar seu trabalho, e leitores tem uma nova plataforma para ter acesso a elas. A estudante do curso de Publicidade e Propaganda, Maureen Heinrich, de Ijuí, utiliza as plataformas virtuais para compartilhar suas histórias com os internautas. Na entrevista abaixo, ela revela informações sobre a sua trajetória como escritora, dando dicas pra quem deseja se aventurar no universo mágico da literatura. Confira:

Terra Vermelha – Quando você começou a sua história como escritora?

Maureen Heinrich – A vontade nasceu muito, muito cedo. Provavelmente por volta da primeira série e um concurso literário que a escola onde eu estudava promoveu e acabei ficando muito empolgada com meu segundo lugar com uma história baseada na Turma da Mônica. Comecei a escrever de verdade, e publicar essas histórias na internet, com catorze anos, e acho que foi a partir dali que decidi que não era só mais um hobby, que era algo que eu realmente queria.

Terra Vermelha– Quantos livros você já escreveu?

Maureen - Tenho dois livros completos, ambos disponíveis no Wattpad. “1995” acompanha a trajetória da compositora Marina Williams em sua jornada para se tornar uma cantora de verdade. Sobre como alguém enxerga a vida e as possibilidades dela aos 20 anos de idade, sobre a indústria musical e o mundo da fama. Já “Emma e os Monstros” é uma tentativa de mostrar que histórias de fantasia não acontecem só nas grandes capitais mundiais. A gaúcha Emma Blumenthal é uma diretora de escola de idiomas de Cruz Alta que vê monstros, e a sua grande meta de vida é descobrir o motivo por trás dessas visões. É uma história sobre o medo, a morte, a vida e os monstros. Literalmente.

Terra Vermelha – Para divulgar seu trabalho, você utiliza redes sociais digitais como o Tumbrl, o Wattpad e o Twitter. Poderia falar um pouquinho sobre como você trabalha em cada uma dessas redes para compartilhar suas obras?

Maureen – O meu foco, na verdade, sempre foi o Twitter. Utilizo o Wattpad muito mais como plataforma de hospedagem do que de divulgação, embora algumas ferramentas dele sejam muito interessantes. Eu particularmente gosto muito do sistema de quotes do site, que permite que você monte uma imagem com seu trecho favorito do capítulo e depois compartilhe na sua rede social de preferência. O Tumblr já é muito útil para compartilhar essas imagens e também outras fanarts e posts relacionados à história. Mas como disse previamente, o Twitter é realmente minha ferramenta favorita de divulgação, e a que eu mais utilizo, principalmente porque conto com o apoio dos leitores. Em conjunto com eles, temos o “1995 project” e o “projeto Emma”, que localiza leitores em potencial através de palavras-chave específicas relacionadas a cada história e depois lhes envia um convite para conferir a mesma. Cada história também tem uma hashtag, usada para avisar atualizações e para que os leitores possam comentar sobre, e foi um meio muito útil de despertar a curiosidade de futuros leitores (por exemplo, a tag de Emma e os Monstros, #querobeijaraMorte, foi a mais bem sucedida até agora). Em resumo, embora eu gaste um bom tempo falando incansavelmente sobre essas histórias no Twitter, quem as leva mais além são os leitores, indicando para os amigos, compartilhando nas redes sociais, e embarcando de cabeça em cada loucura que eu proponho.

Terra Vermelha – Nessas plataformas, como é o seu relacionamento com leitores e outros escritores?

Maureen – Como eu disse, a interação com os leitores é a base de tudo. É o que realmente faz a história funcionar e ir além. Eu tenho a honra e o orgulho de ter pessoas maravilhosas que acompanham cada uma das minhas histórias, que se envolvem com os personagens, que desenham, bordam, pintam, fazem e acontecem e dão todo o apoio possível e imaginável. Eu tento fazer o meu melhor sempre para retribuir todo esse carinho. Com relação a outros escritores, conheci pessoas maravilhosas pelo caminho, e que estão no mesmo barco que eu. A troca de experiência é sempre relevante, e a amizade em vários casos, também. 

Terra Vermelha – Nesse sentido, como você analisa o potencial do meio online para incentivar novos escritores e incentivar a valorização da literatura em seus diferentes gêneros?

Maureen – Ter um livro publicado na indústria literária brasileira é muito, muito difícil. Eu acho que plataformas como o Wattpad mostram que há muita gente talentosa no país que, por falta de oportunidade nas prateleiras físicas, encontrou a internet como uma alternativa. E os acessos a essas plataformas, os números de leitores acompanhando essas histórias e visitando esses sites provam que existe sim público para autores nacionais, que as pessoas estão interessadas. Acredito que é um ótimo lugar para um autor iniciante se desenvolver, aprender e crescer, assim como é uma vitrine para quem está tentando um lugar ao sol. É uma prova de que as pessoas não estão atrás apenas de livros para colorir, mas também buscam por romance, ação, fantasia, suspense em um formato que é fácil de acompanhar. Você pode literalmente ler em qualquer lugar através do app, você pode optar por ler obras completas ou acompanhar histórias que estão sendo escritas e postadas em tempo real. É uma alternativa positiva que acompanha a tecnologia, ao mesmo tempo em que abraça umas das características mais antigas intrínseca ao ser humano, que é a capacidade de contar e de se deixar encantar por histórias.

Terra Vermelha – Que dicas você dá pra quem também está pensando em se aventurar no universo da escrita literária?

Maureen – Eu sempre dou a mesma dica para um bom começo, que pode parecer muito boba e óbvia, mas faz uma diferença significativa na hora de escrever, ao menos pra mim: roteiro. Não precisa ser necessariamente um roteiro bem estruturado, mas anotar em uma folha de papel, em texto ou em itens, coisas que você quer desenvolver na história, fatos que precisam acontecer, ajuda muito. De resto, o de sempre. Ler muito. Escrever, escrever, escrever, mesmo quando você não sinta que algo está saindo. Você sempre pode revisar depois. Fazer uma playlist de músicas que te lembrem a história também é algo muito legal pra quando a inspiração parece ter ido embora. E acho que, acima de tudo, seja o seu primeiro leitor. Divirta-se com a história. Chore com ela. E não desista antes de começar!

Quer ficar conectado e interagir com as histórias da Maureen? Sim? Então, acompanhe a escritora pelas redes sociais:

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